Cultura
Falta de laudo médico interrompe velório de aposentado em Iporá
Mesmo sofrendo em função da morte de um ente querido, familiares de Antônio Divino Ferreira de 70 anos, foram obrigados a retirar o corpo do aposentado do velório que era realizado próximo ao Setor Águas Claras e atravessar a cidade em busca de um laudo médico para que o corpo do aposentado fosse liberado para ser sepultado.
Antônio Divino, faleceu na noite da última terça feira (27), enquanto dormia no Abrigo Seara de Luz em Iporá. E como manda a justiça, todos os casos de mortes naturais devem ser encaminhadas ao Hospital Municipal do Município para serem realizados exames que possibilitem que o médico emita um laudo para que o corpo seja sepultado, já que o município de Iporá não possui um Serviço de Verificação de Óbito, conhecido pela sigla SVO. No entanto, familiares e amigos do aposentado foram surpreendidos com a negativa dos médicos do Hospital em emitir o laudo.
Após esperar por cerca de 4 horas sem nenhuma solução, familiares do aposentado e funcionários da empresa Funerária Pax Souza, decidiram iniciar a preparação do corpo para que o velório pudesse iniciar o mais breve possível. Diante da decisão todos os procedimentos da Pax foram realizados e o corpo de Antônio Divino Ferreira foi encaminhado para o local do velório onde foi velado por familiares e amigos durante toda a noite. Porém na manhã de quarta feira (28) a família recebeu a informação de que não seria possível sepultar o corpo, devido a ausência do laudo médico.
Segundo informações de um dos irmãos do aposentado, devido não estar em horário de atendimento, dois médicos do Hospital Municipal de Iporá se negaram a emitir o laudo, o que deixou a família sem condições de realizar o velório e o sepultamento da vítima.
Diante da situação, a família ainda foi obrigada enfrentar uma série de situações que aumentaram ainda mais o sofrimento dos presentes no velório. Agentes funerários da Pax Souza tiveram que retirar o corpo do velório que era realizado no próximo do conjunto Águas Claras e juntamente com a família visitar alguns Postos de Saúde da Família (PSF) de Iporá em busca de um médico que pudesse emitir o laudo médico para que o sepultamento fosse realizado.
Mesmo diante de todo o sofrimento da família, um médico do PSF mais próximo ao local do velório negou resolver o problema da família. Toda a situação só foi resolvida após quase duas horas, quando os agentes funerários atravessaram a cidade e levaram o corpo do aposentado até o PSF da Vila Itajubá. Onde o médico que estava em serviço, foi até o carro da Pax e realizou os exames necessários e emitiu o laudo que era necessário para realizar o sepultamento do aposentado.

Eudenes Ferreira Marques, irmão do falecido, se mostrou indignado com toda a situação e acusou os médicos do Hospital Municipal de não dar a devida importância ao caso da família. ” Tivemos duplicado todo o sofrimento de perder um irmão, os médicos do hospital não quiseram nem olhar meu irmão” afirmou o senhor de 62 anos que ainda reclamou que o pouco tempo que tinham para velar o corpo do irmão foi dividido com uma documentação que é de responsabilidade do Município de Iporá e não da família.
Já os funcionários da Pax Sousa, afirmaram que o caso não foi uma exceção e que na maioria das mortes domiciliares, que tenha a necessidade de um laudo emitido por médicos do Hospital Municipal, a família é obrigada a esperar por horas, tempo que poderia servir para a familiar passar próximo ao falecido no velório.
Os agentes ainda ressaltaram que o caso ocorreu no meio da semana e questionaram se por um acaso, a morte do aposentado tivesse ocorrido no final de semana, o que seria feito com o corpo, já que o PSF só é aberto de segunda a sexta. “O que a família iria fazer com o corpo, já que não poderiam sepultá-lo” questionou o agente, afirmando ainda, que Iporá necessita de diversas mudanças para que possam agilizar os serviços das Pax e assim amenizar um pouco do sofrimento das famílias.
A nossa reportagem tentou entrar em contato com os diretores do Hospital Municipal, porém não conseguimos falar com ninguém para comentar o caso. O espaço permanece aberto para os diretores, ou alguém da Prefeitura Municipal de Iporá.

