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Saúde

Iporá sofre com o crescente consumo de drogas na cidade

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Pesquisa realizada pelo Conselho de Segurança Pública de Iporá em parceria com a FAI, apontou que o traficante chega a ser mais conhecido que os professores, em Iporá (imagem ilustrativa)

Nos dias atuais, nos deparamos com a problemática das drogas constantemente, seja na rua, nas escolas, nos centros de entretenimento e nos meios de comunicação. Em Iporá, as drogas tornaram-se um dos principais cenários das vidas de centenas de pessoas e famílias, alguns a buscam para diversão, relaxar ou ate mesmo como uma fuga da própria realidade, já, enquanto alguns, lutam diurnamente para conseguir vencer o vício, assim como mães, pais e familiares, que sofrem não quanto, porém, talvez mais, assistindo aos poucos o usuário se tornar cada vez mais debilitado pela a violência que envolve o vício e o mundo das drogas.

No último dia 5 de janeiro, a cidade de Iporá foi capa do Jornal O Popular, em uma matéria que apresentou números impressionantes do crescente consumo de crack em diversas cidades do interior goiano. A reportagem mostrou o que a maioria dos moradores já perceberam, Iporá, está infestada pela droga. Cada vez, é mais comum encontrar usuários de drogas em plena luz do dia em locais públicos, seja consumindo, pedindo doações, alimentos ou dinheiro para manter o vício.

 A evolução da criminalidade, medida pelo aumento no número de assaltos a mão armada, furtos e arrombamentos, também é uma das claras demonstrações de como o problema tem avançado em Iporá, além, claro, do tráfico, que mesmo sendo combatido pelas Policias Militar e Civil, tem crescido e ganhado novas técnicas, seja utilizando crianças e adolescentes, ou entregando apenas pequenas quantidades, para conseguir livrar de um flagrante e consequentemente a prisão.

Além de trazer sérios transtornos a saúde dos usuários, o consumo de entorpecentes gera índices negativos para a sociedade, como problemas policiais, trabalho escravo de menores,  usuários e de moradores das regiões próximas a locais de reunião dos usuários. Infelizmente, para quem é dependente, as políticas públicas se mantém negligentes e ainda persistem em utilizar ações policiais de força, tratando os usuários como criminosos, sendo que, os usuários necessitam de tratamento, já que para a justiça e especialistas, o vício em crack e outras drogas, necessitam ser vistos e tratados como casos de saúde pública, deixando os traficantes responderem pelos seus crimes perante a polícia e a justiça e oferecendo para os usuários tratamento e recuperação.

A situação que é considerada muito grave e tem se alastrado por Iporá, requer um esforço conjunto das instituições e do Poder Público para ser combatida. O que infelizmente ainda não aconteceu.  Atualmente, Iporá possui apenas uma Comunidade Terapêutica com a finalidade de recuperar usuários de drogas, o Desafio Jovem de Iporá, entidade que tem como diretor, André Luiz Alves Correia, ex-dependente químico, e que hoje, tem dedicado todo o seu tempo para ajudar homens, mulheres, jovens e idosos que tiveram suas vidas afetadas pelas drogas.

Mesmo sendo a única entidade que se dispõe a recuperar os dependentes, o Desafio Jovem de Iporá, que tem capacidade para receber até 20 pessoas, sobrevive de doações, e de um auxilio mensal no valor de R$ 1200,00 da Prefeitura de Iporá. Valor, muito baixo diante da importância do trabalho desenvolvido pela entidade para a região, além quê, de acordo com a Constituição Federal, é de responsabilidade do Poder Público e do Sistema Único de Saúde(SUS), garantir todo o atendimento médico necessário para os usuários, já que, a desintoxicação de dependentes químicos, é um tratamento de saúde, e que por lei deve ser custeado pelo poder público.

Em Iporá, também existe o Conselho Municipal Antidrogas, entidade que busca combater o uso de drogas, orientando e conscientizando as pessoas sobre os perigos que as drogas representam para a sociedade. A entidade é presidida pelo Policial Civil Walter José de Queiroz.

Além da falta de estrutura e apoio oferecida para a única clínica que oferece tratamento para dependentes, a escassez de campanhas promovidas pelo poder público que visem reduzir o número de novos usuários, conscientizando, adolescentes, jovens, adultos e idosos, sobre os danos que as drogas causam a saúde, tem se destacado a favor das drogas, assim como também, a inexistência de projetos assistenciais que busquem recolocar ex-dependentes no mercado de trabalho. Promovendo novas perspectivas de vida e oferecendo oportunidades de empregos para ex-usuários de drogas.

Em meio a tantas falhas e falta de planejamento do poder público para enfrentar as drogas, e de tantas excelentes ações promovidas por pessoas que já venceram o vício, e que agora lutam para conseguir ajudar o próximo, Iporá, infelizmente tem perdido a luta contra as drogas e principalmente contra o crack. Elevando a cidade de Iporá, a patamares de grandes cidades, quando o assunto é drogas, tráfico e crimes.

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