Artigos e opinião
Sobre Rafinha Bastos e Luciano Huck
Assim como você, estou acompanhando com alguma curiosidade essa história da carta em que o humorista Rafinha Bastos desanca o apresentador Luciano Huck. Em tom claramente agressivo, Bastos faz um desabafo contra o bom mocismo geral das celebridades brasileiras, pegando Huck como Judas.
A linha de raciocínio de Bastos é simples. Todos aprontam e quando são pegos com a boca na botija, colocam o rabinho entre as pernas e pedem desculpas pelos equívocos. Não concordo com o que o comediante tatuado diz, mas acho sua presença interessante no cenário de babação de ovo geral que é a indústria do entretenimento no Brasil.
O fato é que desde a polêmica envolvendo a cantora Wanessa Camargo, passei a respeitar mais o trabalho de Bastos. Ele não apareceu com carinha constrangida na televisão, pedindo desculpas e olhando para baixo. Ele assumiu a polêmica e arcou com as duras consequências. Teve hombridade como poucos. Não dá para não respeitar um cara que banque a bronca dessa forma.
Não gosto do trabalho dele. O humor dele não me apraz. Não me diverte o tipo de linha que ele adota. Acho essa geração vinda do stand up meio acéfala. Fico saudoso do Chico Anysio cada vez que um desses caras aparece na televisão. Cada geração tem seu ícone do gracejo que merece. Assim como também não me satisfaço com o trabalho de Huck. A carinha bem barbeada dele me incomoda desde os tempos da Bandeirantes. Acho bem constrangedor vários quadros que ele toca nas tardes de sábado. Mas é inegável que a postura pública do primeiro me convence mais que a do segundo.
Não é da tradição de nosso mundo de entretenimento a polêmica, a acidez entre celebridades. Um Liam Gallagher não teria vida longa em terras tupiniquins. Seria abafado pelo mundo do sorriso fácil/falso e comentário maldoso pelas costas. O mais perto que temos disso seria o Lobão, mas ele é figura isolada, na maioria das vezes malquista, pulando em alguns momentos para o lado do folclórico. Mesmo assim, é inegavelmente nosso maior polemista.
Bastos está nesse caminho. Não se mostra arrependido, paga as contas que seu comportamento perto do limite legal lhe coloca, não está nessa para cultivar mais amigos. Ninguém é tão querido como as revistas que mostram a intimidade dos famosos apresentam. O mundo deles é tão fétido quanto o nosso. Talvez até mais. Bastos expõe as vísceras. Huck é do time do sorriso para tudo e todos. Eu não consigo ser alegre o tempo inteiro. Ninguém consegue. Uns mentem, outros se expõe.
Bastos, estou contigo e não abro!
Pablo Kossa
Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

