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Cultura

Morre, aos 104 anos, o arquiteto Oscar Niemeyer

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Oscar Niemeyer deixa obras marcates por diversos países

Faleceu nesta quarta-feira (5), por volta das 21h50, o arquiteto Oscar Niemeyer, depois de 33 dias de internação no Rio de Janeiro. Aos 104 anos, Oscar estava internado no Hospital Samaritano, na Zona Sul do Rio de Janeiro, desde o último dia 2 de novembro, quando apresentou quadro de desidratação, comum em idosos. Após a internação, houve piora da função renal, que foi normalizada nos dias seguintes, mas logo o arquiteto apresentou hemorragia digetiva, também controlada pela equipe médica. Nesta quarta-feira, Niemeyer apresentou piora nas funções respiratórias, que veio a culminar com a morte do arquiteto.

Este ano, Oscar foi internado três vezes, sendo que a primeira vez foi em maio, por pneumonia, e a segunda em outubro, também por desidratação. O arquiteto, com reconhecimento internacional por projetar Brasília, idealizar o prédio sede da Organização das Nações Unidas, em Nova York, além de inúmeros projetos, estava prestes a completar 105 anos.

História
Carioca nascido em 15 de dezembro de 1907, Oscar passou maior parte de sua vida no bairro de Laranjeiras, bairro pelo qual declarava sua paixão constantemente. “Ali nasci, cresci e me casei com Annita [Baldo, em 1928]”, contou em seu diário virtual. Descendente de portugueses, árabes e alemães, Niemeyer também tinha no sangue, como a maioria dos brasileiros, DNA negro e indígena. A primeira esposa, Annita, era filha de imigrantes italianos.

Um ano depois de casado, Oscar ingressou na Escola Nacional de Belas Artes e, durante um tempo, dividia seu tempo entre os estudos e o trabalho na tipografia do pai, também chamado Oscar Niemeyer, até ser absorvido completamente para a arquitetura. Antes mesmo de se formar, o futuro projetista de Brasília começou a trabalhar no escritório de Lucio Costa – urbanista da capital – e Carlos Leão.

Oscar se formou com louvor, em primeiro lugar da turma, e a partir de então, seu crescimento profissional e sucesso foram inevitáveis. Recebeu convites de diversos países, para participar de projetos, congressos e feiras. Passou por Nova York, França, Alemanha, União Soviética e outros cantos do mundo. Apesar da idade centenária, o arquiteto viveu intensamente cada momento. Prova disso foi seu segundo casamento, com Vera Lúcia, aos 99 anos.

Brasília
A amizade de Niemeyer com Juscelino Kubitschek era antiga. Ambos se conheceram em 1940, 15 anos antes do arquiteto ser nomeado diretor do Departamento de Urbanismo e Arquitetura da Novacap e projetar a nova capital federal. Na época da apresentação dos dois, Kubitschek era prefeito de Belo Horizonte (MG) e convidou o arquiteto para fazer uma área de lazer na cidade mineira, o Conjunto da Pampulha.

“Comecei a meditar sobre Brasília numa manhã de setembro de 1956, quando Juscelino Kubitschek, descendo do carro à porta da minha casa, na Estrada da Gávea, me convidou para acompanhá-lo à cidade e expôs o problema durante o trajeto”, descreveu no diário. “Eu via a preocupação de um velho amigo ao qual estava ligado por outros trabalhos, outras dificuldades e por uma longa e fiel amizade. A partir desse dia, comecei a viver em função de Brasília.”

No começo dos trabalhos, o arquiteto fazia os projetos no Rio de Janeiro, no escritório que tinha em Copacabana. O desenvolvimento da construção, contudo, obrigou Oscar a se mudar para o Planalto Central. Lá, no início da década de 1960, foi nomeado coordenador da Escola de Arquitetura da recém-fundada Universidade de Brasília (UnB).

Política
Além da história como arquiteto, Niemeyer tem uma grande trajetória como integrante do Partido Comunista Brasileiro (PCB). Ele se filiou ao partido por achar o mundo injusto e inaceitável. “Fui sempre um revoltado. Entrei para o partido comunista, abraçado pelo pensamento de Marx que sigo até hoje”.

Quando houve o golpe militar no Brasil, Oscar estava em Lisboa e, por dias, não desgrudava o ouvido do rádio, na esperança de melhores notícias, que demoraram a chegar. Foi por conta da opressão e da invasão militar da UnB que Niemeyer pediu demissão da instituição, junto com outros duzentos professores, como forma de protesto. Chateado, exilou-se em Paris, onde abriu um novo escritório.

Prêmios e exposições
A partir da mudança para a Europa, os prêmios e homenagens, que já eram constantes, começaram a ser ainda mais frequentes. O arquiteto fez exposições em importantes instituições, como o Centro Georges Pompidou, em Paris, o Salão de Exposições da ONU, em Nova York, e o Pallazzo a Vela, em Turim. Também passou por Barcelona e por capitais brasileiras.

No quesito prêmios, Oscar foi condecorado com o conceituado Pritzker de Arquitetura, em Chicago. Também faturou o espanhol Prêmio Príncipe de Astúrias, na categoria Artes, e foi nomeado Oficial da Ordem da Legião de Honra da França. Em 1996, recebeu o Leão de Ouro da Bienal de Veneza, na VI Mostra Internacional de Arquitetura.

Uma das homenagens mais importantes recebidas por Oscar foi em 1998, quando foi agraciado com a medalha de ouro do Royal Institute of British Architects, uma das mais tradicionais do mundo. Mas o último prêmio do arquiteto é de 2004: o Prêmio Imperial do Japão. Tanto títulos assim jamais serão apagados da história. Oscar Niemeyer se foi, mas sua importânia é eterna. Não apenas o Brasil, mas o mundo inteiro chora a morte de um mestre.

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