Política
Moradores plantam bananeiras em buraco de avenida, em São Luís de Montes Belos
Moradores do Setor Morada Nova, na Av. Rio da Prata, próximo ao presídio, se encontram em uma situação no mínimo constrangedora. Desde o ano de 2012, com a liberação do esgoto sanitário proveniente do presídio direto pra rua. O ex-prefeito Sandoval da Matta foi procurado para solucionar o problema, no entanto, ele transferiu a responsabilidade para o Estado.
Sem a perspectiva de uma solução para o problema, moradores resolveram procurar o Ministério Público, atitude que resultou na canalização da água da fossa do presídio que passou a ser desaguada no pasto de uma chácara a 100 metros de sua origem. Em decorrência da execução da obra, tiveram que abrir valas na rua, e a reconstrução que deveria ter sido feita com a utilização do asfalto, a prefeitura colocou somente terra.
Em janeiro passado, com as chuvas, essa terra foi levada pelas enxurradas, deixando a via pública com os buracos escancarados. Em junho deste ano, os moradores se reuniram e fizeram reclamações ao Secretário de Administração, Gelber Felisbino, o qual não atendeu aos apelos como deveria, ou pelo menos como os moradores esperavam. Novamente cobriram o local arruinado com cascalho. Outra atitude paliativa que nada resolveu.
Recentemente os moradores procuraram novamente o Secretário de Administração da prefeitura e com um funcionário do Departamento de Obras, conhecido por Pretinho. Expuseram a real situação em que se encontravam e, mais uma vez, prometeram resolver a situação com a utilização de cascalho. Solução recusada pelos moradores, esclarecendo que a proposta não resolveria o problema e o que eles queriam realmente seria uma recuperação asfáltica.
Diante da situação, vários acidentes já foram registrados. Os próprios moradores chamam o local de arapuca para motoqueiros, bicicleteiros e até mesmo para carros. “Há poucos dias atrás, uma senhora estava levando uma máquina de lavar na carroceria de uma camionete, ao passar por um buraco sua máquina quebrou, causando prejuízo para a senhora”, informa o pastor Adaides Gonçalves Reis, da Assembleia de Deus Cima de Seta, representante da comunidade na empreitada.
A partir do momento que não receberam a atenção devida do executivo municipal, resolveram elaborar um abaixo assinado, contendo mais de cem assinaturas, que foi entregue em mãos ao Presidente da Câmara Municipal, Edivaldo do Jornal para que discutisse com os demais vereadores a real situação em que se encontram.
“Entendo que os vereadores são fiscais da cidade, como tal, procurei o presidente da Câmara para que ele e os demais vereadores encontrassem uma solução. Caso não encontrarmos cooperação dos representantes do povo no município, iremos novamente procurar o MP, levando outro abaixo assinado. Acontece que o nosso problema precisa encontrar uma solução, da forma em que se encontra é que não pode continuar”, declara Adaides.
“Na última vez que estive na Câmara, fui rejeitado por dois vereadores que não aprovaram a minha iniciativa de mostrar o problema pro Edivaldo, pedindo-me que não mostrasse as fotos e nem o abaixo assinado ao presidente da casa. Foram os vereadores Batista da Saúde e o Moacir Gambireiro” esclarece Adaides.
De acordo com os moradores o problema só não é resolvido como deveria porque não querem. “Mesmo com a aproximação das chuvas, com apenas um dia de sol e de trabalho utilizando as máquinas e os funcionários encarregados que dispõem, em menos de um dia de trabalho eles resolvem o problema. Agora se eles colocarem terra com as chuvas vão criar lama e o prejuízo será ainda maior”, desabafa os moradores.
“Vamos continuar lutando. Estes dois anos que estamos sofrendo com o descaso, e a nossa correria, indo e vindo da prefeitura em busca de solução, não vai parar até eles tomarem uma decisão concreta e resolver a nossa situação.” Destaca ainda Adaides: “Acontece que eles privilegiaram outros locais e esqueceram-se dos nossos apelos, então a justificativa deles de que não dispõem de dinheiro não nos convence” gesticula e demonstra seu desagrado Adaides.
A canalização do esgoto do presídio, que está sendo jogando para a chácara próxima, obra realizada na administração do Sandoval, também não adiantou. Agora eles estão esvaziando a fossa através de caminhões.
Terezinha Gomes dos Santos, outra moradora que está convivendo com o problema bem de perto, diz: “O que não vamos aceitar é a utilização da terra que estão dizendo que irão colocar. O resultado é muita poeira no período de estiagem e muita lama no período das chuvas. Desde que moro aqui, venho convivendo com o problema e sei o que estou falando”, indigna-se Terezinha.
Idelma Pereira dos Anjos, outra moradora do setor, próximo ao local onde a avenida encontra-se esburacada. “Neste período de estiagem já encontramos dificuldades até pra chegar em casa, com a chegada da chuva aí então, será quase impossível. Estamos isolados, esqueceram de nós”, diz Idelma.
Joana Cirino da Fonseca, moradora das proximidades do local avariado: “A rua se encontra muito ruim, muita poeira, crianças adoecendo por causa da poeira, eles não passam pelo menos com o caminhão pipa e nem arruma o asfalto. No setor só se vê lixo e o mau cheiro chega a incomodar”, exalta Joana Cirino.
José Gomes, morador da Avenida Rio da Prata, próximo ao presídio e que está convivendo com a situação da rua esburacada, diz: “Da outra vez o pessoal da prefeitura, encarregado de resolver o problema jogaram terra, não só nos buracos, mas também por cima do asfalto, chegando a dois dedos de terra, com esta atitude a poeira aumentou e contribuiu para que muitas pessoas adoecessem, inclusive minha esposa, crianças e outras pessoas que nem ficamos sabendo os nomes também sofreram com a poeira”.
Em visita ao local, no dia 29 de outubro, no período da tarde o Secretário Gelber, em companhia do Assessor de Imprensa Selson Ricardo, esteve vendo a dificuldade em que se encontra o local e os habitantes próximos. Segundo Gelber, na oportunidade falaram com a prefeita Mércia, e em primeiro momento, pensaram em estar solucionando o problema com a utilização do cascalho.
Sobre a situação em que os moradores estão enfrentando, diz Gelber: “Existe um projeto da Prefeitura de estar asfaltando aquele local e o restante do bairro. Como é um assunto urgente a prefeita pediu que retirasse todo o asfalto estragado e colocasse uma nova camada de asfalto.” Acrescenta ainda o Secretário: “Quando colocamos os maquinários em condições de executar o asfaltamento, ocorreram estas últimas chuvas. Estamos neste momento justamente aguardando um período de estiagem para estar efetuando os trabalhos necessários”, concluiu Gelber Felisbino.
O vereador e presidente da Câmara Municipal, Edivaldo do Jornal, lamentou a atitude dos colegas vereadores e levou o caso à tribuna assim que recebeu das mãos do pastor Adaides as imagens e o abaixo-assinado. “A situação desses moradores é desumana e precisa de uma solução rápida e urgente por parte do poder público”, cobrou.
Por: Dilson Paiva

