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Política

Juiz prende jornalista e confisca livros de estudantes na UFG de Catalão

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O juiz eleitoral André Luiz Novais prendeu, na noite da última quarta-feira (20/9), o jornalista Cristiano Silva, autor de Operação Ouro Negro – História do milionário assalto aos cofres da Prefeitura de Catalão na gestão de Adib Elias, e apreendeu os livros que o escritor autografava no campus da Universidade Federal de Goiás (UFG). O juiz entrou pessoalmente no campus da UFG de Catalão para prender o jornalista e recolher a publicação. O episódio acabou em bate-boca e o juiz levou Cristiano e um grupo de manifestantes para a delegacia.

O juiz atendia à representação do candidato a prefeito Adib Elias, do PMDB, que pediu o recolhimento dos livros sob a alegação de que a obra é baseada em provas ilegais, anuladas pela Justiça entre elas estão as interceptações telefônicas da Operação Ouro Negro, em que os secretários de Adib denunciados no escândalo falam sobre os desvios de recursos. Na delegacia, o juiz André Luiz Novais tentou ainda recolher as imagens feitas por fotógrafos e cinegrafistas que acompanhavam o caso.

Ainda no campus, o juiz foi duramente criticado por professores e estudantes por ter, segundo alegaram, “invadido” a universidade. Segundo Cristiano, o juiz eleitoral não apenas recolheu os livros que encontrou pela frente como determinou que as pessoas que já haviam tido seus exemplares autografados os devolvessem. “Os outros livros que doei para a biblioteca da UFG também foram apreendidos”, disse Cristiano à reportagem do DM. “Quis saber que tipo de crime eu cometi, mas o juiz se limitou a fazer um sinal com o dedo para que eu ficasse quieto, caso contrário eu sairia algemado dali”, afirmou ainda Cristiano.

Dizendo-se ainda indignado com os acontecimentos, Cristiano Silva afirmou que vai recorrer à Justiça para garantir a circulação de seu livro. A investigação do jornalista se baseia em farto material de apuração feita por Ministério Público e Polícia Civil de Goiás, que resultaram na descoberta de desvio de recursos públicos estimados em mais de R$ 10 milhões. Os desvios ocorreram durante a administração de Adib Elias (2004-2008) e resultaram na prisão de auxiliares do então prefeito. As investigações apontam para uma forte possibilidade de envolvimento de Adib Elias nas fraudes apuradas.

Segundo a investigação, as fraudes ocorreram por meio de licitações direcionadas, fracionamento indevido de obras e pagamentos em duplicidade. Ainda segundo o Ministério Público e a Polícia Civil, parte dos recursos foi desviada a partir da adulteração das especificações das obras de pavimentação os contratos fraudados eram para asfaltamento de bairros pobres. Assim, fazendo asfalto de menor qualidade, os fraudadores desviavam o dinheiro “excedente”. As apurações, realizadas em um período de dois anos, resultaram na prisão de nove pessoas em Catalão, incluindo dois secretários municipais da gestão Adib Elias: Nelson Faiad (Administração) e Lázaro José da Silva (Finanças).

Cinegrafistas e fotógrafos têm equipamentos apreendidos

O tumulto aumentou na Delegacia de Polícia onde estudantes, moradores e curiosos aguardavam e exigiam a liberação do escritor. Após tomar o depoimento de Cristiano Silva, o juiz passou a apreender as máquinas fotográficas e os equipamentos cinematográficos dos jornalistas que acompanhavam o desenrolar do caso. André Luiz Novais determinou, por exemplo, que os repórteres fotográficos entregassem suas máquinas e retirou de algumas os cartões de memória onde estavam armazenadas as fotos tiradas durante a prisão do escritor.

Do lado de fora da delegacia, chamou a atenção da imprensa e das pessoas que acompanhavam a movimentação em torno do caso a presença de Nelson Fayad, apontado pelo inquérito da Operação Ouro Negro como um dos principais responsáveis pelo esquema de desvio de recursos desbaratado pelo Ministério Público. As imagens da época mostram Nelson sendo conduzido algemado pela polícia. Depois vieram à tona fotos em que ele e a namorada aparecem viajando pelo mundo.

Ontem, trajando camiseta, bermuda e chinelos, Nelson levou a namorada para a porta da delegacia para presenciar a prisão de Cristiano Silva. Entre os que acompanhavam o caso, um dos presentes observou que “enquanto o juiz prendia um jornalista que apenas relatava fatos ocorridos em Catalão, uma das pessoas presas no escândalo assistia tudo de camarote, de chinelos”. Cristiano Silva em momento algum reagiu às ordens dadas pelo juiz, prestou todos os esclarecimentos e foi liberado. O juiz também apreendeu livros que estavam com o escritor.

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