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Cultura

Homicídios contra negros em Goiás sobe 125% em oito anos

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Os homicídios cometidos contra a população negra cresceram 125%, de 2002 a 2010 em Goiás.  Enquanto isso, os assassinatos contra brancos caíram mais de 3%, no mesmo período. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (29/11) no relatório “Mapa da violência 2012 – A cor dos homicídios no Brasil”, divulgado pelo Centro Brasileiro de Estudos Latino-Americanos (Cebela).

O estudo mostra a diferença entre os números de homicídios cometidos contra negros e brancos em todo o território nacional. Em Goiás, foram 647 negros assassinados em 2002, 991 em 2006 e 1.458 em 2010. Quanto aos brancos, os números variaram pouco, indo de 395 em 2002, para 366 em 2006 e ficando em 382 em 2010.

Em Goiânia, no ano de 2010, foram registrados 37 homicídios cometidos contra brancos e 365 contra negros. A capital goiana ficou em 106º lugar no ranking dos 608 municípios analisados com mais de 50 mil habitantes. A desigualdade da incidência da violência na capital fica ainda mais evidente ao se constatar que da população total de 1.302.001 habitantes, 621.562 são brancos e 656.484 são negros (que aglomera a cor da pele preta e parda), conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Luziânia foi a cidade goiana que apresentou a maior taxa de homicídios de negros no Estado, no ano de 2010. Dos 174.531 habitantes, cinco assassinatos foram cometidos contra brancos e 128 contra negros.

Nacional
Individualmente, os Estados da Bahia, Paraíba e Pará foram as unidades que tiveram maior crescimento no número de homicídios contra negros no período analisado, mais que triplicando em 2010 os números de 2002.

Neste mesmo período, segundo os registros do Sistema de Informações de Mortalidade, morreram assassinados no país 272.422 cidadãos negros, com uma média de 30.269 assassinatos ao ano. Só em 2010 foram 34.983.

Segundo as considerações finais do trabalho, “esses números já deveriam ser altamente preocupantes para um país que aparenta não ter enfrentamentos étnicos, religiosos, de fronteiras, raciais ou políticos: representa um volume de mortes violentas bem superior à de muitas regiões do mundo que atravessaram conflitos armados internos ou externos”.

A pesquisa
O estudo focalizou a incidência da questão racial na violência letal do Brasil, tomando como base os registros de mortalidade do Ministério da Saúde entre os anos 2002 e 2010.

O trabalho verifica a incidência da vitimização negra nas Unidades da Federação, nas Capitais e nos Municípios brasileiros, tentando identificar os focos e os determinantes dessa violência.

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