Política
Desafios para administração 2013-2016: Agricultura
Dando continuidade a nossa análise dos desafios para administração 2013-2016 apresentamos hoje o cenário econômico para a próxima administração. Já falamos sobre o IPASI que tudo indica não dar maiores preocupações aos administradores, tratamos sobre a arrecadação do município e o equilíbrio entre despesas que não trará grandes surpresas, permanecendo as demandas da população. Falamos também sobre as diferenças de gêneros no mercado de trabalho de Iporá e que afeta principalmente as mulheres negras, pobres e chefes de família que de acordo com o maior ou menor grau de sensibilidade do próximo administrador será um desafio. E hoje falaremos sobre a produção nos três setores, agropecuário, envolvendo a pecuária e a agricultura, indústria e serviços.
Agropecuária: Um desafio para a próxima administração

Fonte: Sepin/Seplan (2012)
*VA. Valor Adicionado. Refere-se às aquisições da agricutura e influi diretamente sobre a geração de riqueza.
O que logo podemos observar é que a administração terá como desafio o aumento da produção e da produtividade agropecuária que, tal como em anos anteriores tem apresentado variações abruptas e até negativas e, apresenta uma tendência de crescer em média 1% durante os próximos cinco anos frente a indústria que apresenta a tendência de crescimento médio de 5% e o comércio, setor de serviços, a crescer a uma taxa média de 7% a 9%.
No entanto, como nossa análise não contempla anos posteriores a 2007 não incluímos aqui os impactos negativos que poderiam ter o fechamento de plantas produtivas como o Curtume, o frigorífico, ambos em 2011 e o desaparecimento das fábricas produtoras de farinha de mandioca nos últimos anos.
De outro modo, não computamos aqui os efeitos de iniciativas recentes, tais como, a instalação do IF Goiano e o trabalho que vem sendo realizado no setor agropecuário, a doação de patrulhas agrícolas pelo Governo Federal; o impacto de Cooperativas como a Cooprol e a Coomafir visto serem variáveis dummies recentes e deve se observar no futuro o impacto que tais iniciativas terão sobre a produção agrícola do município.
Não obstante, observamos que no futuro, impactos positivos na produção agrícola, se ocorrerem, deverão mais a estas variáveis qualitativas do que a qualquer outras como, ações do legislativo ou executivo uma vez que, de longe, estatisticamente falando, são as variáveis dummies mais significativas, que se observam nos últimos anos em relação a agricultura iporaense que é, ainda que marginal, a própria ação do Governo Federal e apesar de esforços penosos a ação própria sociedade.
Outro fato relevante e sabido de todos é que Iporá trata-se de uma cidade comercial e é o comércio, o setor de serviços que tem servido como sustentáculo da economia iporaense e por sua vez, sustentado por transferências dos governos estaduais, federais, aposentadorias e pagamentos de salários municipais sendo que, empregadores no comércio local – e esta questão merece um tratamento exclusivo – pagam baixos salários e poupam para posteriormente, efetuarem seus gastos em compras de bens duráveis, dentre eles, principalmente veículos que constitui numa sangria na economia iporaense, pois os recursos são enviados para fora, reduzindo a capacidade de se realizar novos investimentos.
No entanto, quando se fala que o comércio é o principal pilar da economia face a situação da agricultura não é motivo para comemorar, pois os setores de uma economia são interdinâmicos e um depende do outro. No caso, incrementos na produção agrícola geram necessariamente incrementos no setor de serviços. E crises na agricultura arrefece também o comércio local.
Iporá em relação a outras cidades

Ao comparar os dados para as três cidades Caiapônia, São Luís de Montes Belos e Iporá, notamos que apesar de Caiapônia ter passado por um pico de crescimento em 2004, justamente devido a sua produção agropecuária e, tudo fazia crer que Caiapônia deixaria o Município de Iporá em relação a geração de riquezas e se destacaria juntamente com SLMB, o que ficou demonstrado depois que este foi apenas um pico de crescimento, mas São Luís de Montes Belos apresenta uma tendência de estar sempre acima e crescente o que faz questionar se Iporá seria mesmo uma cidade pólo.
Informações técnicas
Esta análise foi realizada com o auxilio de programa econométrico de código aberto Gretl. Todos os “R-quadrado ajustados” apresentaram valores superiores a 99%. Todos os testes de t-student foram significativos. No entanto, não foi possível realizar os testes “RESET de Ramsey” e o teste de White devido a quantidade insuficiente de graus de liberdade, ou seja, de observações. Mas isso não compromete nossa análise que não pretende ser um trabalho extensivo. (João Batista da Silva Oliveira)

